O Idoso e seus relacionamentos

Os relacionamentos entre as faixas etárias vêm mudando. Os jovens se relacionam com outros jovens, formando as “tribos juvenis”. Os relacionamentos dos adultos são relativos à atividade que desempenham no trabalho e, geralmente, seus contatos sociais são com os colegas.

Na terceira idade os relacionamentos sociais vão diminuindo. A aposentadoria antes tão sonhada, lança o idoso no isolamento dentro do próprio lar. Ele fica sem ter o que fazer. Já não se arruma para sair como fazia todos os dias, e vai se descuidando da aparência.

A falta de uma atividade diária pode levar o idoso a uma depressão.

Outras situações podem levá-los ao isolamento, como a viuvez e a síndrome do ninho vazio. Passando por estas situações, o idoso precisa dedicar-se a uma atividade qualquer, não só para preencher o tempo, como para distrair-se, e assim poder dar um novo rumo à sua vida, evitando assim a depressão.

O idoso além de enfrentar uma crise existencial (envelhecimento do corpo, perda da vitalidade, da beleza, da saúde etc.), ainda tem que enfrentar as limitações econômicas que sua pequena aposentadoria lhe impõe.

Ele tem algo que nem os adultos nem os jovens possuem: a memória cultural, que ele pode transmitir através de um diálogo enriquecedor. Ele precisa ser visto como uma pessoa experiente que testemunhou acontecimentos históricos. Fez conquistas trabalhistas e quem sabe, até políticas. Ele não é um alienado como muitas pessoas o julgam. Pode não conhecer bem a informática, mas se quiser, poderá aprender. Não pode ser ignorado só porque não tem este conhecimento. Ele tem outros, mas para algumas pessoas conhecer a informática faz a diferença. Este preconceito relativo ao idoso se junta a outros. E como consequência ele passa a ser tratado como se não entendesse de nada e muitas vezes torna-se motivo de brincadeiras de mau gosto.

É comum o idoso ficar de “fora” das conversas quando está entre estranhos e até entre seus familiares. Essas pessoas não sabem o mal de causam a um velho (indefeso) quando isso acontece. Ele não se queixa nem tenta expor suas ideias sobre os assuntos tratados. Justifica sua atitude perante si mesmo achando que as pessoas não o entenderiam.

O que foi exposto não é a realidade de todos os idosos, mas com muita frequência o relacionamento com eles se desenvolve da maneira descrita.

Aqui não foi tratada a relação que envolve agressão aos idosos, mas podemos ficar certos de que ela acontece e com muito mais frequência do que se imagina. Não foi à toa que o Estatuto dos Idosos foi criado (Lei 10.741/2003), cuja finalidade é proteger o idoso.

Como o idoso não tem com quem falar dos seus sofrimentos relativos à sua crise existencial e também sobre as incompatibilidades que vão surgindo nos relacionamentos, seria bom que fizesse uma terapia própria para a Terceira Idade, a fim de compreender melhor os OUTROS, a SI mesmo, ter com quem conversar e ter quem o escute . O atendimento pode ser feito na casa do cliente.

 

 

Rio de Janeiro, 26/01/2014.

Célia Maynart

 

 

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